Caso real · Pilar Estratégico

Projetista BIM ganhando R$ 500 por mês fazendo detalhamento pra construtora. Corsa 2001. Hoje, Grupo Ozare.

Essa história é minha. Contada sem vergonha nenhuma, porque é exatamente o ponto de partida que faz sentido pra quem está lendo isso agora.

Por Rafael Zaccari · Fundador do Grupo Ozare · Atualizado em 2026-08-21
Rafael Zaccari, fundador do Grupo Ozare
Print real do acompanhamento · Rafael Zaccari

Um Corsa 2001, um notebook emprestado e R$ 500 por mês fazendo detalhamento BIM pra construtora. Foi daí que eu saí. Não tinha capital pra investir em nada sofisticado, não tinha rede de contatos, não tinha um plano bonito no papel. Tinha técnica, tinha fome e nenhuma noção de como vender o próprio trabalho.

R$ 500/mês → Grupo Ozare
do Corsa 2001 ao ecossistema Ozare
Rafael Zaccari · história do fundador

O ponto de partida

Eu era bom tecnicamente. Isso nunca foi o problema. O detalhamento saía certo, a modelagem batia, o prazo era cumprido. O problema era que eu vendia a única coisa que tinha pra vender: a minha própria hora. Sem hora trabalhada, sem dinheiro entrando. Sem mim no computador, a empresa parava, porque a empresa era eu.

R$ 500 por mês não pagava o Corsa, não pagava o aluguel, não pagava nada com folga. E o pior: eu não sabia que o problema era comercial. Achava que era questão de estudar mais BIM, aprender mais uma ferramenta, entregar com ainda mais capricho. Fui atrás de ser o melhor tecnicamente, e continuei pobre sendo o melhor tecnicamente.

Ninguém compra o seu diploma. Compram o problema que você resolve, e se você não sabe vender isso, a técnica vira hobby caro.

A virada começou quando parei de esperar indicação e comecei a bater de porta em porta, de forma literal e metafórica: ligar, aparecer, propor, insistir. Prospecção ativa, sem glamour nenhum. Foi ali que entendi a primeira lição que hoje repito em toda mentoria: ninguém te tira da jaula operacional além de você mesmo.

A virada, em quatro alavancas

Não existiu um golpe de sorte, um cliente mágico que resolveu tudo de uma vez. Foram quatro alavancas, puxadas fora de ordem no começo, na ordem certa depois que eu entendi o que estava fazendo.

1 · Parar de vender só a própria hora

Enquanto o dinheiro dependesse só das minhas horas de detalhamento, o teto era o meu cansaço. A primeira virada foi mental antes de ser prática: entender que eu precisava vender resultado, não hora, e que precisava de mais de um cliente pagando ao mesmo tempo pra parar de viver na corda bamba.

2 · Prospecção ativa

Parei de esperar o telefone tocar. Fui atrás, um por um, de quem podia pagar pelo meu trabalho. Sem tráfego pago, sem agência, sem verba: só ligação, visita, follow-up. Foi lento, foi desconfortável, e foi o que trouxe o primeiro cliente que pagava de verdade.

3 · Sistematizar em vez de só executar

Foi nessa fase que vieram os contratos maiores, e também a lição mais cara que já paguei: um projeto de R$ 600 mil que terminou com R$ 7 mil de prejuízo, porque eu sabia detalhar mas não sabia calcular margem antes de assinar. Faturar alto sem sistema é sofrer alto. Comecei a separar o que era função técnica do que era função empresarial: o que media resultado, e não só a folha de horas.

4 · Construir equipe e produto, não só vender a mim mesmo

A última alavanca foi a mais difícil: deixar de ser eu vendendo eu, e virar um sistema que vende independente de mim. Anos depois, já dentro do que viria a ser o Grupo Ozare, cheguei a desligar 60% da equipe de uma vez pra reconstruir com cultura mais rígida. Foi uma das melhores decisões que tomei, porque empresa que depende do dono cansado não escala.

As quatro alavancas, na ordem

Ponto de partida
R$ 500/mês · Corsa 2001 · sozinho no detalhamento BIM
Alavanca 1 · Parar de vender a própria hora
  • Do detalhamento pro resultado
  • Mais de um cliente ao mesmo tempo
Alavanca 2 · Prospecção ativa
  • Bater de porta em porta
  • Sem tráfego pago, sem agência
Alavanca 3 · Sistematizar
  • Separar técnico de empresarial
  • Medir com KPI, não com horas
Alavanca 4 · Equipe & Produto
  • Sair de "eu vendendo eu"
  • Cultura antes de tamanho
Resultado
Grupo Ozare · 137 empresas atendidas

Os números

Não guardei planilha de mês a mês daquela época, guardei os marcos que doeram e que ensinaram:

Do detalhamento BIM ao Grupo Ozare

Início
R$ 500/mês
detalhamento BIM, Corsa 2001
Virada comercial
Prospecção ativa
parei de vender só a hora
Lição mais cara
-R$ 7 mil
contrato de R$ 600 mil sem margem
Sistema
Equipe & processo
saí do operacional
Hoje
Grupo Ozare
137 empresas atendidas
EtapaOnde eu estava
Detalhamento BIMR$ 500 mês (Corsa 2001)
Prospecção ativa1º cliente pago de verdade
Contrato de R$ 600 mil-R$ 7 mil de prejuízo
Sistema e equipeSaí do operacional
HojeGrupo Ozare

O contrato de R$ 600 mil que fechou no vermelho me ensinou mais do que qualquer mês bom teria ensinado. É a história que conto em toda mentoria, exatamente porque foi cara demais pra guardar só pra mim.

O que eu diria pra quem está onde eu estava

Não foi sorte, e não foi talento excepcional. Foi sair, alavanca por alavanca, da jaula operacional que eu mesmo construí com a minha própria excelência técnica. Hoje, quando olho pra trás, o Corsa 2001 e o R$ 500 por mês não são vergonha nenhuma: são a prova de que dá pra sair do lugar sem precisar nascer em outro lugar.

Você não precisa trabalhar mais. Precisa mapear, hoje, o que sai da sua própria mão primeiro.

Se você se reconheceu no "faço tudo sozinho" lendo isso, o ponto de partida é o mesmo que foi o meu: parar de vender só a sua hora. O resto, alavanca por alavanca, se constrói depois.

Q&A

Por que faturar um contrato grande pode terminar em prejuízo?

Um contrato de R$ 600 mil terminou com R$ 7 mil de prejuízo, porque saber detalhar bem não é o mesmo que saber calcular margem antes de assinar. Faturar alto sem sistema de custo e sem KPI para medir resultado vira sofrimento alto: o problema não é o preço do contrato, é separar a função técnica da função empresarial na hora de precificar.

Como sair de vender apenas a própria hora de trabalho?

Enquanto o dinheiro dependia só das horas de detalhamento BIM, o teto era o próprio cansaço, e R$ 500 por mês não pagava nem o carro. A virada foi entender que era preciso vender resultado, não hora, e ter mais de um cliente pagando ao mesmo tempo, para deixar de depender do dono sempre no computador.

Como fazer prospecção ativa sem verba para marketing?

Sem tráfego pago, sem agência e sem verba, a saída foi ligar, aparecer, propor e insistir, cliente por cliente. Foi lento e desconfortável, mas foi essa prospecção ativa, batendo de porta em porta, que trouxe o primeiro cliente que pagava de verdade, depois de anos esperando indicação sem sair do lugar.

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RZ
Rafael Zaccari
Fundador do Grupo Ozare · 137 clientes atendidos
Passou de projetista BIM, ganhando R$500 por mês, a fundador do Grupo Ozare. Hoje ajuda engenheiros e arquitetos a venderem melhor sem viver de indicação.
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