Observatório Ozare · Report 2

O Tráfego que Não Vende

Engenheiros e arquitetos investiram em anúncios esperando clientes e, na maioria dos casos, colheram leads que morreram na mesa. O que separa os poucos que deram certo não é a plataforma. É a ordem das coisas.

Por Rafael Zaccari · Grupo Ozare · Publicado em 2026-07-04
459
diagnósticos comerciais na base
2025-2026
8%
dos que investiram acharam positivo
base 63
84%
decepcionou ou teve resultado misto
base 63
66%
culpam o ROI baixo / sem retorno
base 53
R$120 mil
o maior prejuízo relatado em tráfego
caso real
O que o marketing pago entregou
Decepcionou
65%
Resultado misto
19%
Positivo
8%
Não soube medir
8%
Resultado entre os 63 que investiram em marketing pago

Sumário executivo

Perguntamos a engenheiros e arquitetos que colocaram dinheiro em tráfego pago o que sobrou desse investimento. A resposta, na maioria das vezes, veio com um silêncio ou um sorriso amarelo antes da explicação. Entre os 63 que conseguiram responder com clareza, só 8% classificaram o resultado como positivo. O resto ficou dividido entre retorno zero e movimento que nunca virou contrato. É um número incômodo para uma prática que virou item obrigatório em qualquer discurso de crescimento do setor.

A leitura fácil é culpar a plataforma: Meta, Google, o algoritmo da vez. Mas quando se olha o que separa os 8% do resto, a plataforma quase nunca é a variável. O que separa é a ordem das coisas. A maioria comprou tráfego antes de ter comercial capaz de recebê-lo: sem quem atenda rápido, sem critério de qualificação, sem conversa de vendas que sustente o preço de um projeto. O anúncio funciona, traz o lead, e o lead morre na mesa.

Isso muda o diagnóstico e muda o que fazer com ele. Tráfego não é o primeiro passo de uma máquina de aquisição, é o último. Entrando antes da estrutura comercial, só acelera a exposição de um problema que já existia, e cobra caro por isso. As seções seguintes mostram onde exatamente o dinheiro vaza e por que a ordem importa mais do que o valor investido.

Metodologia

Este report usa a mesma base do Panorama Comercial, o primeiro estudo do Observatório Ozare: 459 diagnósticos comerciais feitos pela Ozare com escritórios de engenharia e arquitetura. São conversas estruturadas, não pesquisa de opinião. Cada diagnóstico registra como o escritório vende, o que já tentou e onde o dinheiro entra e sai. Aqui isolamos o recorte de marketing: tudo que os escritórios relataram sobre investir em tráfego, anúncios e captação paga de clientes.

Duas bases importam aqui, e vale ser honesto sobre a diferença entre elas. A primeira é a de quem investiu em marketing pago: 142 escritórios dentro dos 459, o subconjunto em que o diagnóstico permitia afirmar com segurança que houve investimento real, não uma intenção vaga ou um teste solto de meia dúzia de posts impulsionados. A segunda, e mais reveladora, é a base de resultado: 63 escritórios, aqueles em que dava para dizer o que o investimento de fato produziu em contrato fechado.

O recuo de 142 para 63 não é ruído: já é parte do achado. Boa parte de quem coloca dinheiro em tráfego não sabe dizer, quando perguntado de frente, o que aquilo devolveu. Toda estatística deste report vem com a sua base, 459, 142 ou 63, justamente para o leitor saber se está lendo o retrato do mercado inteiro, o retrato de quem investiu, ou o retrato menor e mais duro de quem conseguiu medir o retorno.

Quem já tentou (e quanto gastou)

R$120 mil

foi o maior prejuízo relatado com tráfego pago. Outro escritório queimou R$36 mil em nove meses de agência sem o telefone tocar. Um terceiro recebeu mais de 100 leads para um único fechamento.

Comecemos por quem já pôs a mão no bolso. Entre os respondentes avaliáveis, 44% colocaram dinheiro em marketing antes de chegar até aqui: são os 142 escritórios que formam a base deste recorte. Não são curiosos testando a água. É gente que já rodou campanha, já pagou fornecedor e, na maioria dos casos, já viu o dinheiro sair sem o retorno voltar. Quando esse grupo fala em tráfego, fala de experiência própria, não de teoria.

O canal mais citado é o tráfego pago, com 50 menções, seguido pela contratação de agência, com 19. Os valores investidos variam de forma reveladora: tem quem gastou R$500 por mês testando o Instagram por conta própria, quem tocou uma primeira campanha de R$600 só para ver no que dava, e quem passou a comprometer R$1.600 ou R$2.200 mensais de forma recorrente. A escada de gasto sobe conforme a frustração empurra o profissional a apostar mais alto no mesmo caminho.

Nos casos mais pesados, o prejuízo deixa de ser mensalidade e vira patrimônio. Um profissional relatou R$36 mil consumidos em nove meses com uma agência, sem o telefone tocar do outro lado. Outro chegou aos R$120 mil de prejuízo acumulado, a mesma ordem de grandeza que aparece, com nome e sobrenome, em diagnósticos fora do Observatório: “Tivemos um prejuízo de 120 mil reais com gestão de tráfego pago ineficaz”, resume Bruno Faria, da Ordus. São cifras que, para um escritório de engenharia ou arquitetura, equivalem a projetos inteiros, folha de meses, ou à margem de um ano de trabalho.

O que esses números mostram não é falta de disposição para investir. É o oposto: um público que investiu, muitas vezes mais de uma vez, e raramente conseguiu ligar o que gastou ao que entrou em caixa.

Por que decepciona

Por que o marketing pago decepciona
Sem retorno / ROI baixo
66%
Agência genérica que não entende o setor
23%
Público ou segmento errado
13%
Leads desqualificados
13%
Caro para o retorno
13%
Comercial não converteu o lead
9%
Motivos da decepção · base 53 escritórios frustrados

Se a disposição existe, o saldo não acompanha, e não por pouco. Entre os 63 que investiram em tráfego pago e conseguiram medir o retorno, só 8% relatam experiência positiva. Os outros 84% dizem que decepcionou ou entregou resultado misto, daqueles que não pagam a conta. Quando a maioria absoluta de quem tentou sai com a sensação de dinheiro mal gasto, o problema deixa de ser o profissional que rodou a campanha e vira estrutural.

O motivo mais citado é direto: ROI baixo ou retorno nenhum, apontado por 66% desses 63. A verba saiu da conta, os anúncios rodaram, e o faturamento não se mexeu na mesma proporção. “O retorno foi zero, zero. Ninguém ligou, ninguém fez conta, nada. Pode parecer mentira, mas zero”, resume Fernando Fontana ao descrever a campanha que rodou e não converteu em uma única reunião. Logo atrás, com 23%, vem a queixa de contratar agência genérica que não entende o setor: gente acostumada a vender e-commerce ou infoproduto tentando aplicar a mesma receita para quem projeta obra, fecha contrato de arquitetura ou vende engenharia. “Eu já tive empresas de marketing aqui dentro do escritório que queriam que a gente fizesse baboseira na internet... eu trabalho com projetos de grande porte, de valor agregado. O cara não quer me ver fazer dancinha”, relata Maicon de Oliveira. Danielle Tavares resume o mesmo desencontro de outro ângulo: “Pedreiro nem Instagram tem e vocês querem que eu fique fazendo 1 milhão de vídeos”. São dores diferentes: uma fala do resultado, a outra da causa que quase sempre o produz.

O retrato mais nítido desse desencontro é o escritório que recebeu mais de cem leads e fechou um único contrato. No painel do gestor de tráfego, é campanha de sucesso: custo por lead baixo, volume alto, gráfico subindo. No caixa do escritório, é uma equipe inteira gastando semanas para ligar, qualificar e descartar contato que nunca teve intenção de contratar. Volume de lead desqualificado não é venda travada, é custo operacional disfarçado de oportunidade. E é ali que a maior parte do orçamento evapora sem deixar rastro no faturamento.

A ordem errada

01
Compra tráfego
02
Comercial despreparado recebe
03
Leads desqualificados
04
Verba perdida

O dinheiro vaza depois do clique. Por isso trocar de agência, de criativo ou de plataforma não muda o resultado.

Se o dinheiro some depois do clique, a causa é anterior a ele. O erro raramente está no anúncio, está na sequência. O empresário de engenharia ou arquitetura sente que vende pouco, conclui que precisa aparecer mais e contrata tráfego pago antes de ter qualquer processo comercial capaz de receber o que esse tráfego traz, muitas vezes na esperança de terceirizar o desconforto de vender pessoalmente, não necessariamente de gerar mais contatos. O anúncio funciona, o lead chega, e é aí que o dinheiro começa a vazar: ninguém liga no mesmo dia, ninguém sabe qualificar, a proposta demora uma semana, o follow-up não existe. O clique foi pago. O que vinha depois dele não estava montado.

Por isso a conta não fecha, mesmo quando o topo do funil melhora. Você pode dobrar o volume de leads e continuar fechando o mesmo número de contratos, porque o gargalo nunca esteve na entrada. Estava na capacidade de atender, responder e conduzir a conversa comercial até a decisão. Tráfego é multiplicador: aplicado sobre um processo que converte, multiplica faturamento; aplicado sobre um processo que não converte, multiplica desperdício e ainda deixa a sensação de que marketing não funciona.

É essa inversão que explica a frustração mais comum: trocar de agência, trocar de gestor de tráfego, trocar o criativo, testar outra plataforma, e o resultado não mexer. Faz sentido: nenhuma dessas trocas toca no ponto onde o dinheiro vaza. Se o vazamento é depois do clique, mexer no que vem antes dele é reformar a fachada de uma casa sem encanamento. O lead entra melhor e vaza no mesmo lugar. Nos diagnósticos comerciais da Ozare, fora do Observatório, esse ciclo de trocas tem nome: objeção de formato, não de preço. O profissional desconfia menos do valor do anúncio e mais da capacidade daquele formato de gerar o acompanhamento que a venda de um projeto técnico exige, e por isso trocar de fornecedor raramente resolve.

A pergunta certa não é qual agência contratar nem qual criativo testar, é se existe alguém, com método e horário definido, para pegar o lead que já está chegando e levá-lo até o contrato. Sem essa resposta pronta, comprar mais tráfego só acelera o vazamento.

Quando funciona

R$5 mil → R$20 mil

o faturamento de um escritório de diagnóstico depois de R$10 mil em tráfego. A diferença não foi o anúncio: era o comercial pronto para atender e converter o lead que chegava.

Vale olhar para o outro lado: a exceção que confirma a regra. Um escritório de diagnóstico que atendemos faturava R$5 mil por mês e investiu R$10 mil em tráfego. Saltou para R$20 mil, multiplicando por quatro o faturamento com um investimento em anúncios que, sozinho, não explica nada. O tráfego não fez mágica. Ele encontrou uma estrutura comercial que já estava de pé.

A diferença estava no que acontecia depois do clique. Havia alguém para atender o lead no mesmo dia, um roteiro de qualificação que separava curioso de comprador, uma proposta que saía rápido e um follow-up que não deixava a conversa morrer. O anúncio entregou volume. O comercial converteu esse volume porque já sabia o que fazer com cada contato.

É por isso que o caso funciona como contraprova, não como promessa. Os mesmos R$10 mil despejados num escritório sem atendimento estruturado, sem qualificação e sem follow-up teriam gerado a mesma frustração das seções anteriores: lead caro, agenda vazia, dinheiro queimado. O tráfego amplifica o comercial que existe. Quando há estrutura, multiplica; quando não há, só acelera o desperdício.

O que fazer diferente

01
Conserta o processo comercial
02
Mede resposta, comparecimento e conversão
03
Aí abre a torneira do tráfego
04
Escala sem desperdício

O erro mais caro não é gastar com tráfego. É comprar demanda antes de saber o que fazer com ela. Antes de aumentar o orçamento de anúncios, pare e responda quatro perguntas sobre o que acontece depois que o lead entra: quem qualifica esse contato, em quanto tempo ele é abordado, com qual critério se decide se avança, e qual é o roteiro da proposta. Enquanto essas respostas não existirem por escrito e sob responsabilidade de alguém, cada real investido em mídia só aumenta o volume de leads perdidos no mesmo lugar de sempre.

A ordem importa: primeiro conserta o processo, depois abre a torneira. E consertar começa medindo três coisas que quase ninguém no setor acompanha: o tempo entre o lead chegar e alguém falar com ele, a taxa de comparecimento nas reuniões marcadas, e a conversão da proposta em contrato assinado. São números que não dependem de ferramenta nova nem de agência. Dependem de olhar para o funil que já existe e admitir onde ele vaza. Um escritório que responde em duas horas e outro que responde em dois dias vivem realidades comerciais diferentes, mesmo comprando exatamente os mesmos cliques.

Escalar tráfego faz sentido quando o processo de vendas aguenta receber mais gente sem piorar esses três indicadores. Antes disso, mais anúncio só antecipa o desperdício. Não existe faturamento garantido nessa conta: quem promete isso está vendendo mídia, não resultado. O que existe é a diferença entre um funil que aproveita o que entra e um que deixa escorrer.

Se você se reconheceu em algum ponto deste report, guarde o padrão, não o número. Tráfego pago não cria processo comercial, só expõe se ele existe. A pergunta que decide o resultado não é qual plataforma escolher nem quanto investir nela, é quem responde ao lead, em quanto tempo e com que critério. Essa ordem, comercial pronto antes de verba em anúncio, é o que separa os 8% do resto.

Q&A

Vale a pena investir em tráfego pago para escritório de engenharia ou arquitetura?

Depende do comercial. No Observatório Ozare (459 diagnósticos), entre os 63 que investiram e mediram o retorno, só 8% tiveram resultado positivo e 84% decepcionou ou foi misto. Tráfego amplifica o comercial que existe: sem qualificação e follow-up, multiplica o desperdício.

Por que o marketing pago decepciona engenheiros e arquitetos?

O motivo nº1 é ROI baixo ou retorno nenhum (66% dos 53 frustrados), seguido de agências genéricas que não entendem o setor (23%). O dinheiro vaza depois do clique: leads que ninguém qualifica nem responde a tempo.

Quanto os escritórios gastam e perdem em tráfego pago?

De R$500 por mês a R$36 mil em nove meses com agência, com um caso de R$120 mil de prejuízo. Um escritório recebeu mais de 100 leads para um único fechamento.

Antes de comprar mais tráfego, olhe o funil

O diagnóstico da Ozare mostra onde o seu processo comercial perde o lead que você já pagou para gerar.

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RZ
Rafael Zaccari
Fundador do Grupo Ozare · +130 escritórios diagnosticados
Referência em vendas e gestão comercial para engenheiros e arquitetos. Conduziu os diagnósticos que deram origem ao Observatório Ozare.
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